Alargai o olhar

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Uma CASA comum para todos

domingo, 7 de novembro de 2021

Transmissão do CGXXIV

    PRESENÇA QUE GERA VIDA

    Depois de uma forte preparação para o Capítulo Geral XXIV,  e da emoção de poder acompanhar espiritualmente e sempre que possível online este evento carregado das bênçãos de Deus e da presença de Maria, chegou a hora de acolhermos a transmissão pela voz das nossas Irmãs capitulares: Ir Graça,  provincial e Ir Eurídice, delegada.

    Foi nesta atitude de gratidão,  comunhão e abertura ao Espírito Santo que as Irmãs da Visitadoria Rainha da Paz - Angola se reuniram no dia 6 na casa provincial em Luanda para dar início à transmissão do CGXXIV. 

    A transmissão iniciou na Capela com uma celebração densa de significado e de grande profundidade que nos ajudou a entrar da melhor maneira nestes dias de profundo sentido de pertença ao Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.


    A partir do Evangelho das Bodas de Caná, texto que nos acompanhou desde o início da preparação para o CGXXIV,  e de onde foi tirado o lema 'Fazei o que Ele vos disser' fomos inseridas na atmosfera da fé,  preparando o nosso coração para nos habilitarmos à percepção da acção de Deus na vida do nosso Instituto.

    A consciência da riqueza da diversidade do Instituto foi convite a abrirmo-nos ao diferente com coração aberto à novidade de Deus. Depois de palavras, gestos e símbolos foi tempo de brindarmos à mesa saboreando o vinho bom da fraternidade e da alegria de estarmos dispostas a acolher juntas as Orientações do CGXXIV para que os jovens tenham vida e a tenham em abundância!

Ir. Isabel Mira
















quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Louvado sejas Meu Senhor

 BENGUELA

Promessa do grupo "Meio ambiente"do Complexo Escolar Laura Vicuña e do Instituto Médio de Hotelaria e Turismo 


Também os professores que fazem parte da Pastoral Escolar fizeram o compromisso com o Meio ambiente

O turno da manhã da iniciação até a 4° classe e o turno da tarde da 5 até 9 classes 

Foram escolhidos um rapaz e uma menina de cada sala.

Nesta iniciativa ecológica foram envolvidos todos os membros da Comunidade Educativa Laura Vicuña de Benguela 






 







sexta-feira, 8 de outubro de 2021

POR UMA IGREJA SINODAL- 2021 / 2023

 Afinal o que é um Sínodo?

É uma  Assembleia de eclesiásticos convocados por ordem do seu prelado ou de outro superior.

Um sínodo católico pode ser realizado em  nível  diocesano  ou mais amplo. No primeiro caso, o Sínodo diocesano é convocado pelo bispo, a autoridade máxima da diocese. Dele participam sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos que dão a sua contribuição e opinião visando o bem da comunidade diocesana.

Para uma Igreja Sinodal, três coisas são necessárias, Comunhão, Participação e Missão


O Papa Francisco convocou a  Igreja para   um Sínodo, intitulado "Para uma Igreja  Sinodal" que iniciará solenemente nos dias 9 e 10 de outubro de 2021, em Roma, e a 17 de outubro seguinte, em cada uma das Igrejas particulares. Uma etapa fundamental será a celebração da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023, a que se seguirá a fase de execução, que envolverá novamente as Igrejas particulares (cf. EC, art. 19-21). Com esta convocação, o Papa Francisco convida a Igreja inteira a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: «O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio». Este itinerário, que se insere no sulco da “actualização” da Igreja, proposta pelo Concílio Vaticano II, constitui um dom e uma tarefa: caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o caminho percorrido, com o que for experimentando, a Igreja poderá aprender quais são os processos que a podem ajudar a viver a comunhão, a realizar a participação e a abrir-se à missão. Com efeito, o nosso “caminhar juntos” é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário.

Uma interrogação fundamental impele-nos e orienta-nos: como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal) aquele “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada; e que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?


Enfrentar juntos esta interrogação exige que nos coloquemos à escuta do Espírito Santo que, como o vento, «sopra onde quer; ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai» (Jo 3, 8), permanecendo abertos às surpresas para as quais certamente nos predisporá ao longo do caminho. Ativa-se deste modo um dinamismo que permite começar a colher alguns frutos de uma conversão sinodal, que amadurecerão progressivamente. Trata-se de objetivos de grande relevância para a qualidade da vida eclesial e para o cumprimento da missão de evangelização, na qual todos nós participamos em virtude do Baptismo e da Confirmação. 

Anunciando o Evangelho, uma Igreja sinodal “caminha em conjunto”: como é que este “caminhar juntos” se realiza hoje na vossa Igreja particular? Que passos o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Para dar uma resposta, sois convidados a perguntar-vos que experiências da vossa Igreja particular a interrogação fundamental vos traz à mente? reler estas experiências mais profundamente: que alegrias proporcionaram? Que dificuldades e obstáculos encontraram? Que feridas fizeram emergir? Que intuições suscitaram? colher os frutos para compartilhar: onde, nestas experiências, ressoa a voz do Espírito? O que ela nos pede? Quais são os pontos a confirmar, as perspetivas de mudança, os passos a dar? Onde alcançamos um consenso? Que caminhos se abrem para a nossa Igreja particular?

Diferentes articulações da sinodalidade

Diante  destas  interrogações, é oportuno ter em consideração que  só teremos uma Igreja Sinodal se observarmos   os seguintes aspectos:

I. OUVIR

A escuta é o primeiro passo, mas requer que a mente e o coração estejam abertos, sem preconceitos. Com quem está a nossa Igreja particular “em dívida de escuta”? Como são ouvidos os Leigos, de modo particular os jovens e as mulheres? Como integramos a contribuição de Consagradas e Consagrados? Que espaço ocupa a voz das minorias, dos descartados e dos excluídos? Conseguimos identificar preconceitos e estereótipos que impedem a nossa escuta? Como ouvimos o contexto social e cultural em que vivemos?

II. TOMAR A PALAVRA

Todos estão convidados a falar com coragem e parrésia, ou seja, integrando liberdade, verdade e caridade. Como promovemos, no seio da comunidade e dos seus organismos, um estilo comunicativo livre e autêntico, sem ambiguidades e oportunismos? E em relação à sociedade de que fazemos parte? Quando e como conseguimos dizer o que é deveras importante para nós? Como funciona a relação com o sistema dos meios de comunicação social (não só católicos)? Quem fala em nome da comunidade cristã e como é escolhido?

III. CELEBRAR

“Caminhar juntos” só é possível se nos basearmos na escuta comunitária da Palavra e na celebração da Eucaristia. De que forma a oração e a celebração litúrgica inspiram e orientam efectivamente o nosso “caminhar juntos”? Como inspiram as decisões mais importantes? Como promovemos a participação activa de todos os Fiéis na liturgia e o exercício da função de santificar? Que espaço é reservado ao exercício dos ministérios do leitorado e do acolitado?

IV. CORRESPONSÁVEIS NA MISSÃO

A sinodalidade está ao serviço da missão da Igreja, na qual todos os seus membros são chamados a participar. Dado que somos todos discípulos missionários, de que maneira cada um dos Batizados é convocado para ser protagonista da missão? Como é que a comunidade apoia os seus membros comprometidos num serviço na sociedade (na responsabilidade social e política na investigação científica e no ensino, na promoção da justiça social, na salvaguarda dos direitos humanos e no cuidado da Casa comum, etc.)? Como os ajuda a viver estes compromissos, numa lógica de missão? Como se verifica o discernimento a respeito das escolhas relativas à missão e quem participa? Como foram integradas e adaptadas as diferentes tradições em matéria de estilo sinodal, que constituem a herança de muitas Igrejas, especialmente as orientais, em vista de um testemunho cristão eficaz? Como funciona a colaboração nos territórios onde estão presentes diferentes Igrejas sui iuris?

V. DIALOGAR NA IGREJA E NA SOCIEDADE

O diálogo é um caminho de perseverança, que inclui também silêncios e sofrimentos, mas é capaz de recolher a experiência das pessoas e dos povos. Quais são os lugares e as modalidades de diálogo no seio da nossa Igreja particular? Como são enfrentadas as divergências de visão, os conflitos, as dificuldades? Como promovemos a colaboração com as Dioceses vizinhas, com e entre as comunidades religiosas no território, com e entre associações e movimentos laicais, etc.? Que experiências de diálogo e de compromisso partilhado promovemos com crentes de outras religiões e com quem não crê? Como é que a Igreja dialoga e aprende com outras instâncias da sociedade: o mundo da política, da economia, da cultura, a sociedade civil, os pobres...?

VI.  COM AS OUTRAS CONFISSÕES CRISTÃS

O diálogo entre cristãos de diferentes confissões, unidos por um único Baptismo, ocupa um lugar particular no caminho sinodal. Que relacionamentos mantemos com os irmãos e as irmãs das outras Confissões cristãs? A que âmbitos se referem? Que frutos colhemos deste “caminhar juntos”? Quais são as dificuldades?

VII.AUTORIDADE E PARTICIPAÇÃO

Uma Igreja sinodal é uma Igreja participativa e corresponsável. Como se identificam os objetivos a perseguir, o caminho para os alcançar e os passos a dar? Como se exerce a autoridade no seio da nossa Igreja particular? Quais são as práticas de trabalho em grupo e de corresponsabilidade? Como se promovem os ministérios laicais e a assunção de responsabilidade por parte dos Fiéis? Como funcionam os organismos de sinodalidade a nível da Igreja particular? São uma experiência fecunda?

VIII. DISCERNIR E DECIDIR

Num estilo sinodal, decide-se por discernimento, com base num consenso que dimana da obediência comum ao Espírito. Com que procedimentos e com que métodos discernimos em conjunto e tomamos decisões? Como podem eles ser melhorados? Como promovemos a participação na tomada de decisões, no seio de comunidades hierarquicamente estruturadas? Como articulamos a fase consultiva com a deliberativa, o processo do decision-making com o momento do decision-taking? De que maneira e com que instrumentos promovemos a transparência e a accountability?

IX. FORMAR-SE NA SINODALIDADE

A espiritualidade do caminhar juntos é chamada a tornar-se princípio educativo para a formação da pessoa humana e do cristão, das famílias e das comunidades. Como formamos as pessoas, de maneira particular aquelas que desempenham funções de responsabilidade no seio da comunidade cristã, a fim de as tornar mais capazes de “caminhar juntas”, de se ouvir mutuamente e de dialogar? Que formação oferecemos para o discernimento e o exercício da autoridade? Que instrumentos nos ajudam a interpretar as dinâmicas da cultura em que estamos inseridos e o seu impacto no nosso estilo de Igreja?


CONCLUSÃO

Nesta perspetiva, a sinodalidade é muito mais do que a celebração de encontros eclesiais e assembleias de Bispos, ou uma questão de simples administração interna da Igreja; ela «indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja, o Povo de Deus, que manifesta e realiza concretamente o ser comunhão no caminhar juntos, no reunir-se em assembleia e no participar ativamente de todos os seus membros na sua missão evangelizadora». Entrelaçam-se assim aqueles que o título do Sínodo propõe como eixos fundamentais de uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão. 

Fonte : Vatican News

domingo, 12 de setembro de 2021

Entrada no Aspirantado LUENA

“FALAI SENHOR, TEU SERVO ESCUTA”

Comunidade Nossa Senhora Da Luz

No dia 07 de Setembro de 2021, na comunidade Nossa Senhora Da Luz (MOXICO-LUENA), após a missa das 18h, deu-se o início à celebração da entrada do aspirantado de dez jovens: Eunice, Isabel, Firmina, Letícia, Luísa, Mariana, Paulina, Suzana, Titina e Valéria, que se uniram as duas que renovaram o seu sim, Catarina e Laurinda, totalizando assim doze aspirantes na comunidade Nossa Senhora Da Luz. 

Pre-aspirantes 

A celebração foi orientada pela vigária da Visitadoria irmã Catarina Paulo Bernardo, e animada pelas irmãs da comunidade e as jovens em formação. “FALAI SENHOR, TEU SERVO ESCUTA” foi a frase escolhida pelas mesmas jovens, na certeza de que devem responder ao chamado do Senhor a exemplo de Samuel.


Aspirantes
Aspirantes                            



           Comunidade Nossa Senhora Da Luz


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Problemas que afligem a nossa juventude

 CONVERSA, DEBATE e REFLEXÃO com o Pe. Félix Liberal da Diocese de Cabinda

Amados jovens delegados das distintas paróquias da nossa amada diocese. Principio esta exposição trazendo um sentimento de gratidão pela vossa disponibilidade e e presença nesta nossa jornada diocesana.

Recordar que o objectivo desta exposição não é tanto uma dissertação científica repleta de respostas para os subtemas elencados no nosso tema. Pelo contrário, um convite a um debate-reflexão à volta dos problemas que afligem a nossa juventude.

Trazemos como tema para esta nossa conversa, OS DESAFIOS DA EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE e como subtemas, a iniciação tradicional, casamento tradicional, a questão das heranças, o tratamento degradante dado a mulher e a mentalidade feiticísta.

A INICIAÇÃO TRADICIONAL

Na cultura tradicional binda, só pelos ritos de iniciação (pela circuncisão e pela casa de tintas) um rapaz ou uma rapariga entra na sociedade clânica e é considerada um membro adulto do grupo social. O homem já é homem pelos dizeres dos seus pais, mas os seus direitos só advêm por meio da circuncisão. Igual sorte, a mulher «chi-nkupa» (virgem) não é mulher para homem algum se na aldeia se não souber que ela já passou pela túkula ou nzo kualama. Por esta lei, segundo o direito costumeiro binda, nenhum homem pode tomar uma mulher por esposa sem que ela fosse declarada núbil pela cerimónia de kualama ou casa de tintas.

1- Quanto a circuncisão

A circuncisão é uma instituição tradicional pela qual o rapaz entra na sociedade clânica e se ratifica publicamente a sua virilidade. O não circuncidado era considerado ainda criança e a mulher não lhe concedia os seus favores nrm aceitava casar com ele. A idade para o efeito compreendia dos 8 a 14 anos de idade.

No interior da floresta capinava-se em círculo um certa extensão de terreno, que se via necessário segundo o número dos que iam ser circuncidados. Só eram permitidos assistir homens ou rapazes circuncidados. As mulheres não faziam parte do acampamento. «Acerimónis consiste fisiologicamente, na incisão prepúcio (lisutu) que era feito por um velho exercitado -nganga masutu».

Avaliação ética da circuncisão

A princípio, é importante dizer que a circuncisão é um valor, pois, durante o tempo da circuncisão os rapazes eram instruídos na história, nas tradições, usos e costumes; no conhecimento de provérbios e toda vasta cultura oral; nos feitiços e práticas religiosas, nas obrigações que assumirão brevemente perante a família. Receberão instruções concretas e pormenorizadas sobre os actos sexuais e os problemas referentes ao casamento. Portanto, ela significava a morte da antiga vida juvenil e o nascimento, a entrada na vida adulta e gregária da etnia com novas forças, novos privilégios, novas obrigações.

Terminado este momento, cada um era confiado a um velho responsável e seguro para que não haja abusos sexuais; não intervenha o feiticeiro, nem a ideia feiticísta esteja ligada; 

2- Quanto a casa de tintas

O nome casa da tinta é uma designação muito genérica, pode ser usado para designar nzo kumbi, casa para onde a rapariga ia depois da primeira manifestação da puberdade; designa também nzo kuálama, a casa onde a rapariga entra para as cerimonias que precedem a tomada de estado ou aos casamentos. Ela é designação dada pelos europeus, pois as raparigas que passam por estas cerimónias são pintadas todos dias com túkula, durante o tempo que lá estiverem. O nome das tintas provém por analogia do termo túkula que quer dizer cor avermelhada.

Avaliação ética da casa de tintas

Passar pela casa de tintas significa passar pelas cerimónias da puberdade ou das que antecedem as do casamento. Kualika representa a passagem à idade adulta, por elas se dá a conhecer oficial e publicamente, que chegou a idade da puberdade. Por isso, a este cerimónia nenhuma rapariga faltará, pois, seria ao essencial que a faria uma mulher. Porque segundo o costume, tal como disse a pouco sobre o rapaz, a mulher chinkupa (virgem) não é mulher para homem algum se na aldeia se não souber que ela já passou pela túkula. Por este lei é proibido qualquer homem fazer uso da chinkupa ainda não iniciada. Quem fizer isto mancha a terra e comete crime contra a terra de Mangoyo.

Durante o tempo, um, dois ou três meses que permanecer dentro da casa de tintas recebe algumas instruções. A doutrinação é dada por uma velha mestra. Dela aprenderá tudo que precisa saber sobre a vida que a espera. Receberá doutrinação pormenorizada e concreta sobre os modos de coabitar, de proceder com o marido para o tornar feliz. Receberá elucidação sobre os seus deveres de esposa, mãe, dona de casa. Pantentear-se os segredos da vida familiar na qual vai tomar parte oficialmente, respeitante aos usos, costumes, vida social e religiosa.

Depois de tudo que já se esmiuçou, ratificamos que a nossa iniciação tradicional é uma instrução, uma escola de valores, uma componente educativa; uma escola do noivado. Todavia, hoje vemos algumas sombras à volta dela: a perda da sua essência (deixou de ser espaço da instrução e de ratificação da maturidade onde os jovens saiam homem e mulher) ; a morte da componente educativa que é substituída pela televisão e pelas ruas. E, por isso, vemos moças já a coabitarem com os maridos que não são ainda mulheres… perdeu-se o valor e respeito pela virgindade, pois, até casar-se a menina se calhar já este esteve com cinco, dez ou mais rapazes.

Pois bem, meus caros jovens, é quase um imperativo falar-vos da necessidade de um renascimento cultural de Cabinda ou dos valores da cabindanidade.

CASAMENTO TRADICIONAL, O ALAMBAMENTO.

O casamento na cultura tradicional ibinda binda é uma instituição sócio-religiosa pela qual o homem se une a uma mulher… exige muito tempo, por isso se realiza em e por etapas. Segundo as prescrições do Ngoyo, o homem que pretende uma mulher começa por falar seus pais por meio de um enviado. O casamento exige um conjunto de assentimentos que decidem a justeza a fim de tornar sólida a aliança. O certo é que, pelo casamento um jovem casal adquire a plena participação na vida social. A participação +e um dever preciso e direito de todos. Mas este direito «de casar» só é possível segunda a cultura tradicional binda caso se tenha passado pelos ritos de iniciação.

O alambamento, um obstáculo na vida dos jovens.

O alambamento é um instrumento jurídico costumeiro que confere validade e dignidade ao casamento na cultura tradicional binda. Este instrumento está radicado na mentalidade do povo e faz parte daquele tecido mais precioso de suas tradições sagradas que passam de geração em geração. Eliminá-lo pura e simplesmente seria uma autêntica traição. Segundo a tradição, através dele se estabelece alianças interfamiliares, se melhoram e se dignificam as relaçoes conjugais e sociais. É fundamento de fidelidade da mulher para com o marido. Ele confere um carácter legal e uma relativa estabilidade ao casamento. Na sua pureza e originalidade consiste na troca de presentes entre famílias.

Hoje, porem, constata-se uma apetência exagerada sobre o seu valor. Há um desvia do verdadeiro sentido cultural do alambamento. Um novo sentido foi produzido e encontra o seu fundamento material numa ordem económica. A procura destes bens materiais é experimentada e vivida no seio das famílias muito ou pouco no esquecimento do verdadeiro sentido em que se reveste o acto. De acordo a circunstância concreta em que se processa, hoje, este instrumento reveste-se de abusos, pois a sociedade confere-lhe um pendor comercial. Hoje, as filhas tornaram-se fontes de rendimento para as famílias. Quase em todo lado já se afirma, alto e bom som - embora as vezes exageradamente - que o casamento está muito caro, o homem compra a noiva e o alambamento é um dos elementos dessa autentica transacção.

Por isso, a legislações civis e eclesiásticas devem, ajudar as autoridades tradicionais afim de o alambamento evoluir e voltar a sua pureza de essência de acordo a prática e exigências tradicionais. Mas isto, não será possível não houver cooperação entre instituições competentes.

A mulher no contexto cultural judaico

Segundo o talmude, na pessoa do rabi Levy, Deus considerou a partir de qual parte do homem iria criar a mulher e disse: não vou criá-la a partir dos olhos para que não se torne coquete; nem da orelha, para que não escute atrás das portas; nem da boca, para que não se ponha a tagarelar; nem do coração, para que não seja ciumenta; nem da mão, para que não vá mexer em tudo; nem do pé, para que não fique sempre saindo de sua casa; irei criá-la da parte mais discreta do homem por mesmo quando ele está nu essa parte continua escondida.

Este é um testo importante para compreender com mais justeza a situação da mulher no pensamento rabínico. Nele se encontram pontos que consideramos muito negativos, todas as reprovações que o talmude faz pesar sobre a mulher: frívola, de inteligência limitada, coquete a ponto de só de preocupar com a aparência, curiosa e tagarela… excluída da vida pública, só deve sair de casa coberta com um véu, que não pode falar com um homem na rua, nem mesmo em casa; para a mulher há um limite que não deve ser ultrapassado. 

No evangelho de são João 4,7 começa o diálogo de Jesus com a samaritana e, vemos que ao chegarem os discípulos, isto é, no versículo 27 do mesmo capítulo, ficam estupefactos, pois era proibido falar com uma mulher, assim como era proibido fazer-se servir por uma mulher que não era sua.

À sua mãe Jesus dissera: mulher, que queres de mim? Jo 2,4 (mulher, que há entre mim e ti? Entre o homem e a mulher o que há é a serpente, o mal; e o talmude, como toda a tradição bíblica, está fortemente marcado esta essa dolorosa realidade.

O texto da mulher adúltera é mais um espelho do machismo do mundo judaico (Jo 8, 1-11). Falei a pouco da proibição de falar com a mulher e de servir-se de uma que não fosse sua. Agora onde está neste testo o homem que adulterou com ela? Nem se fala dele… é como se o subir sobre a mulher do outro não um fosse um crime entre os judeus…

No milagre da multiplicação dos pães e peixes de Mateus 14, 13-21, o relato termina dizendo que «os que comeram eram cerca de cinco mil homens, mulheres e crianças. Portanto, a mulher não era tida como tal, pois, a sua inferioridade diante do homem era demasiado grande

No anuncio da noticia da ressurreição (Mc 16, 1-8) aparece a mulher como a primeira portadora desta notícia, mas Pedro e o discípulo mais amado não correm do nada às pressas para o sepulcro. Isto acontece porque a mulher na cultura judaica era tida de mentirosa por natureza e, por isso, não poderias testemunha nada, era semelhante a criança que ainda não tinha atingido os seus 12 anos, portanto, era um sujeito jurídico, não tinha direitos.

Ao envolver a figura da mulher como decisiva na história da salvação, Jesus irá inaugurar uma nova era da história na qual o mistério da mulher será revelado; a mulher é emancipada, uma emancipação que será uma verdadeira assunção, culminando no céu, com a coroação da virgem por seu seu filho.

A mulher no nosso contexto cultural

Tal como o mundo judaico, somos machistas. Esses machismos como no seio da família em que vemos os trabalhos de casa todos sendo feitos pela mulher enquanto os rapazitos esticam-se esperando a hora da mesa. 

No Mayombe, é comum ver a esposa vinda da lavra toda ela carregada com cesto todo abarrotado, com a criança enquanto o senhor marido anda somente com uma catana na mão… chegam juntos da lavra e ainda pergunta nervoso à mulher: que hora vai comer hoje? Já nas cidades, o jovem que ajuda sua mulher é considerado bouelo. 

Pe. Félix Liberal 

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Inauguração dos Laboratórios de Restauração

Escreveu-se na manhã de hoje mais um capítulo na história do Instituto Técnico de Hotelaria e Turismo "Laura Vicuña" de Benguela. Duas novas salas de aulas práticas (laboratórios) foram inauguradas para acolher no presente ano lectivo o novo Curso de Técnico de Restauração de Cozinha e Pastelaria.

Inscrições e matrículas ainda em curso, venha conhecer e aprender com nossos profissionais e torne-se um empreendedor do ramo.

A nossa GRATIDÃO para aqueles que fizeram realidade este empreendimento a favor da Formação da Juventude! 

Fonte: Prof. Wilson Xavier
















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